Como os robôs podem ajudar crianças autistas a melhorarem suas habilidades sociais

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Os últimos avanços na tecnologia robótica podem ser animadoras ou assustadoras, dependendo do seu ponto de vista. Ainda assim, a tecnologia está longe de ser a assistente onipresente que às vezes é representada na ficção científica.

Em um novo estudo publicado nesta quarta-feira (22) na Science Robotics nos oferece um panorama do potencial que os robôs possuem para ajudar crianças que possuem dificuldades de comunicação devido a transtornos do espectro autista (TEA). As descobertas do estudo sugerem que aulas auxiliadas por robôs podem ajudar essas crianças a aprenderem a se comunicar de forma mais efetiva.

O autismo é uma doença neurológica complicada, trazida por fatores de riscos ambientais ou genéticos (não tem nada a ver com vacinas) que trabalham juntas de maneira que ainda não entendemos completamente. Manifestações de TEA podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente os transtornos incluem dificuldade na interação e comunicação com outras pessoas – alguém com TEA pode não conseguir manter contato visual, por exemplo. Os chamados robôs sociais se mostraram promissores quando foram utilizados para ensinar crianças pequenas a lidar melhor com situações sociais.

“Robôs são a combinação perfeita. Eles são sociais o suficiente para que as pessoas respondam a eles, mas eles não são tão sociais a ponto de provocar qualquer nível de ansiedade”, disse Brian Scassellati, principal autor do estudo e líder do Laboratório de Robótica Social da Universidade de Yale, em um vídeo.

Mas de acordo com Scassellati e seu time, muita dessa pesquisa só estudou pequenas janelas de interação entre crianças e robôs, geralmente controladas em um ambiente de laboratório. Então a equipe decidiu dar um passo a mais.


Uma ilustração de como o experimento funcionou. Ilustração: Scassellati, et al (Science Robotics)

Para o experimento, eles recrutaram 12 famílias de crianças que tiveram dificuldades de comunicação devido ao TEA. As crianças, que tinham entre seis e 12 anos, e suas famílias ganharam um computador especial para utilizar em casa, que incluía um protótipo recém-criado do Jibo, um robô de 12 polegadas desenvolvido pelo MIT e que foi divulgado como o primeiro robô social comercial. O Jibo, que tem feições muito parecidas com a personagem Eva do filme WALL-E, responde a comandos de voz, consegue girar seu corpo e cabeça em 360 graus e tem uma “face” em uma tela preta com um par de olhos que piscam e indicam emoções como felicidade e tristeza.

As crianças, junto com seus responsáveis, interagiram com a Jibo todos os dias durante 30 minutos. Como parte da sessão, eles jogavam uma série de games no touchscreen de um computador próximo. Esses jogos reforçavam aspectos de comunicação, como a leitura de emoções de outras pessoas ou o entendimento de suas perspectivas. Um jogo, por exemplo, pedia para que a criança descobrisse o que uma personagem estava sentindo em determinado ponto da história.

Jibo, que foi programado com uma variedade de scripts pré-construídos, encorajava as crianças enquanto elas jogavam e ajustava a dificuldade dos jogos dependendo de como os garotos estavam progredindo. Jibo também “modelou habilidades sociais positivas”, de acordo com o estudo – entre essas ações, o robô mantinha contato visual com as crianças e olhava para a tela ao mesmo tempo que elas. Todas as sessões foram gravadas com câmeras e microfones, e os responsáveis documentaram o nível geral de interação das crianças com outras.

Como esperado, as crianças progrediram nos joguinhos conforme o tempo passou, e a maioria conseguia completar os níveis mais difíceis ao final do período de um mês do estudo. Fora das sessões com robôs, as crianças mostraram melhorias em algumas habilidades como prestar atenção às mesmas coisas que o adulto que estava com elas. Os responsáveis também relataram que as crianças se tornaram mais adeptas ao contato social, com mais disposição para manter contato visual e se comunicar com outros.

“Isso me mostrou o quão brilhante e esperto ele é. A experiência trouxe boas qualidades para ele”, disse a mãe de uma criança envolvida no experimento, também apresentada no vídeo de Yale.

O estudo, segundo autores, serviu como uma prova de conceito. Ainda há muito o que ser estudado e muitas questões a serem respondidas em relação ao uso de robôs no tratamento para o autismo. Seria preciso um robô muito mais sofisticado do que o já ultrapassado Jibo para trabalhar efetivamente com crianças com TEA por períodos mais longos, apontam os autores. Esse robô precisaria se adaptar às pessoas e oferecer tarefas mais complexas.

Não há garantias de que os efeitos benéficos dessas sessões irão durar no longo prazo. Neste estudo, a melhora das crianças em suas habilidades de atenção conjunta começou a diminuir 30 dias após o término do experimento. A própria amostra do estudo – 12 crianças relativamente saudáveis que já haviam trabalhado com os pesquisadores – também pode não representar como outras crianças que vivem com TEA responderiam aos robôs em suas casas.

Ainda assim, vale a pena estudar o quão útil os robôs podem ser um dia. “O trabalho futuro com ensaios maiores e mais longos esclarecerá este resultado promissor, mas preliminar”, escreveram os autores.

[Science Robotics]

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