Ex-secretário revela que recebia "salário extra" de empresário em MT

Fonte: Folha Max O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, admitiu nesta sexta-feira à Justiça que recebeu pagamentos co...

Fonte: Folha Max

O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, admitiu nesta sexta-feira à Justiça que recebeu pagamentos complementares para permanecer no cargo no palácio Paiaguás durante a gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB). De acordo com Permínio, o combinado foi receber o montante de R$ 30 mil líquidos mensais.

Assim, além do salário pago pelo Estado, o então secretário também recebia uma verba mensal para, somada ao salário, resultar no valor desejado. As informações foram prestadas pelo ex-secretário durante depoimento à juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Segundo o ex-secretário, a oferta foi feita no terceiro encontro que teve com o empresário Alan Malouf no escritório do empresário. Na oportunidade, Allan teria admitido que fez parte da equipe que avaliou os nomes cotados para cada uma das secretarias e que uma das dificuldades foi justamente com relação aos salários, relativamente baixo quando comparado aos rendimentos que os escolhidos já tinham na iniciativa privada. “Ele, Maluf, falou que houve dificuldade de compor o secretariado, porque o salário era baixo, além do caixa que a pasta teria, e afirmou que faria recomposição salarial para mim, para chegar próximo a R$ 30 mil. Pedi um tempo pra pensar”, explicou.

Em seguida, Permínio alegou que, passados alguns dias, próximo ao final de janeiro de 2015, foi novamente procurado pelo empresário, que cobrava uma garantia do então secretário. Para tranquilizá-lo, Malouf teria dito que o esquema protegeria de todas as formas os nomes de ambos, para que, caso descoberto, nunca chegassem aos dois.

Foi neste mesmo encontro que Permínio foi apresentado ao empresário Giovani Guizardi, proprietário da Dínamo Construtora, que mantinha contrato com a Seduc. Ele foi apresentado ao ex-secretário como o responsável por captar recursos junto às empresas que mantinham contrato com a pasta, para que o esquema estivesse em funcionamento e o pagamento das propinas saísse tal qual planejado.

Assim que aceitou a proposta, Permínio teria recebido a orientação de indicar alguém para manter a ponte entre a Seduc e Allan Malouf, repassando informações e procedimentos ao empresário. Permínio então indicou Fábio Frigeri, a quem teceu elogios durante o depoimento, o classificando de se tratar de uma pessoa de sua extrema confiança e profissionalismo.

Durante o depoimento, Permínio afirmou também que em seus primeiros encontros com Malouf, este lhe informou que ele e um grupo de empresários teriam investido pesadamente na campanha de Pedro Taques nas eleições de 2018. A primeira vez que ouviu a afirmação, foi no primeiro encontro que teve com o empresário.

No dia em que ofereceu a Permínio o pagamento de salário complementar, Malouf teria explicado também que, como os empresários haviam investido na campanha, precisavam recuperar este dinheiro. Permínio afirmou que, em sua delação com o Supremo Tribunal Federal (STF), há planilhas com valores e nomes dos beneficiados, mas que não poderia citar ali para a juíza devido à delação estar sob sigilo.

OMISSÃO DE MALOUF

A informação de que foram feitas complementações salariais durante a gestão Pedro Taques, para manter secretários que antes recebiam mais na iniciativa privada, já não era mais segredo. Isso porque, o empresário Allan Malouf, também delator do esquema, já havia declarado à Justiça o pagamento de salário complementar ao ex-diretor da Unimed, Paulo Brustolin, que comandou a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), e o ex-diretor financeiro e regional do Grupo Kroton, Júlio Modesto, que assumiu a Casa Civil e a Administração.

Ele não chegou a citar o pagamento complementar a Permínio. Tal esquecimento de Malouf pode caracterizar omissão em sua delação.

De acordo com a delação de Malouf, os dois receberam mais de R$ 1,7 milhão a mais que o salário de secretário para permanecerem no staff do então governador. Segundo o documento, a Brustolin foram pagos R$ 500 mil apenas para assumir a pasta. Além do “mimo”, ele também passou a receber, mensalmente, o valor de R$ 80 mil, entre janeiro e dezembro de 2015.

Modesto, por sua vez, recebeu o valor mensal de R$ 25 mil nos mesmos meses. No entanto, o empresário não relatou que pagou salários extras para Permínio Pinto.

A Operação Rêmora foi deflagrada em 2016 pelo Gaeco com o objetivo de desbaratar um esquema de corrupção implantado nas entranhas da Seduc. Segundo as investigações, os desvios se davam por meio de contratos de obras em escolas superfaturados. Permínio chegou a ser preso preventivamente em julho de 2016, mas acabou sendo solto em dezembro do mesmo ano após confessar seus crimes.

O grupo fraudava o processo licitatório e exigia o pagamento de propina por parte das empresas para que a Seduc firmasse o contrato. As investigações apuraram que o esquema foi montado para recuperar recursos investidos na campanha do ex-governador Pedro Taques. Além do ex-secretário, são réus na ação o empresário Giovani Guizardi, que acusou Permínio de ficar com 25% de toda a propina arrecadada com os empresários, donos das empresas contratadas pelo Estado para realizar obras de reforma e construção de escolas em Mato Grosso. Giovani é apontado por ser operador do esquema.

Outra pessoa com papel destaque no esquema é o empresário Alan Malouf. Em seus depoimentos, Permínio acusou Pedro Taques e o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) de integrarem o esquema. Este último, segundo Permínio, ainda praticava o crime de lavagem de dinheiro.

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