É humanamente impossível cobrir todos os pontos, diz GEFRON sobre crimes na fronteira

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Comandante fala das dificuldades para defender região e destaca parceria com instituições de Segurança

O tenente-coronel José Nildo Silva de Oliveira, comandante do Grupo Especial de Segurança na Fronteira (Gefron), destacou ser "humanamente impossível" ter policiais presentes em todos os quase mil km que dividem Mato Grosso e Bolívia, a fim de coibir a prática de crimes como o tráfico internacional de drogas e a passagem de veículos roubados para o País vizinho.

"A fronteira é muito grande, são 750 km apenas de área seca. Falando assim, às vezes as pessoas não têm noção. Eu escuto muito: 'É só fechar a fronteira'. Como se fosse uma coisa muito fácil [...] É uma região totalmente rural, fronteira seca que permite, em qualquer lugar, as pessoas atravessarem para a Bolívia", criticou.

Segundo o chefe do Gefron, a unidade atua hoje com 150 homens - aquém do número ideal, que seria de 250 policiais - e, apesar da parceria com as outra forças de Segurança, como o Exército e a Polícia Federal, eles são a única barreira para os criminosos que tentam entrar no Brasil.

"As pessoas chegam com o carro, entram pelas fazendas e cortam as cercas, atravessando para a Bolívia. Não tem nenhuma barreira física natural. A barreira que se tem ali é o Gefron e as instituições de Segurança Pública fazendo o policiamento da região. Por isso eu digo que é humanamente impossível estar presente em todos os pontos, em todos os locais da fronteira", ressaltou.

Eu escuto muito: 'É só fechar a fronteira'. Como se fosse uma coisa muito fácil

Em entrevista ao MidiaNews, o tenente-coronel que assumiu o Gefron há dois anos falou do trabalho exaustivo do grupo para proteger a área, disse ser contrário à legalização das drogas como forma de reprimir o tráfico e destacou a necessidade de desenvolvimento de políticas, a nível de nação, para ajudar a coibir os crimes na região. 

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

MidiaNews – Com sua experiência no comando do Gefron, podemos dizer que a fronteira de Mato Grosso está "bem guardada"?

Tenente-coronel José Nildo – Desde a concepção do Gefron e, posteriormente na instalação na região de fronteira, melhorou muito a questão de segurança, o que repercute também nos grandes centros. Principalmente porque sabemos que uma das características aqui da região de Mato Grosso e o país vizinho Bolívia, é o produto que vem de lá: cloridato de cocaína, que é a cocaína pura, e a pasta base. A maconha não segue a mesma rota, geralmente ela vem da região Sul, do Paraguai e outros países.

Com a instalação do Gefron, que completa 17 anos de existência, notou-se na região, inclusive, a questão da valorização do patrimônio. Os fazendeiros agregaram valor nas terras. Antigamente, eles não poderiam adquirir veículos caros, como caminhonetes, não se investia na região ou investia-se muito pouco, porque os proprietários tinham receio de serem roubados. Antigamente, era conhecida como "terra de ninguém". Então, com a instalação do Gefron, instalou-se também a segurança, trazendo controle e sensação de segurança para aquela região, possibilitando até mais investimentos no local. 

É lógico que não conseguimos extinguir a criminalidade. Isso é humanamente impossível. Temos também nossas limitações, porém nosso serviço vem sendo realizado com aquilo que conseguimos através do efetivo e integração com outras instituições como a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Delegacia Especial de Fronteira (Defron) da Polícia Civil, Exército Brasileiro, Aeronáutica e Marinha, que estão diretamente na fronteira, além do Institudo de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), que possibilita e ajuda na questão de logística para atuarmos em toda a região de fronteira, que é totalmente rural.

Então sim, com a entrada do Gefron e com o serviço que vem sendo realizado nos últimos anos, fortalecendo a integração entre as instituições, ela possibilita e melhora significativamente a segurança para a região de fronteira e para a população mato-grossense, porque, como disse, o que acontece na fronteira acaba repercutindo nos grandes centros e Cuiabá não seria diferente.


MidiaNews – O senhor falou sobre as limitações do Gefron, quais seriam elas? 

Tenente-coronel José Nildo – Assim como toda instituição, temos deficiência de efetivo. O efetivo está aquém do necessário e do ideal, além da falta de equipamentos, mas isso acontece em todas as instituições, não apenas na Segurança ou na Polícia Militar. Principalmente no nosso Estado que agora está passando por um momento financeiramente difícil, como foi visto após a instauração do decreto de calamidade financeira.

Então, a maneira de suprirmos essa deficiência é justamente através da interação e integração com outras instituições, que estão diretamente na região de fronteira.

Paralelo a isso, outras ações estão sendo implementadas, cito como exemplo a implantação das câmeras com tecnologia OCR, que possuem sistema de monitoramento por caracteres. Através de uma parceria com o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT) conseguimos instalar cinco câmeras, que facilitam e ajudam nosso trabalho. 

É claro que a tecnologia vem para somar e melhorar, mas não substitui os policiais, apenas complementa a atividade policial. Como havia dito, a fronteira é muito extensa, são quase mil quilômetros entre áreas secas e alagadas, na região do Pantanal, tornando humanamente impossível para uma instituição sozinha atuar nessa fronteira toda, que é praticamente rural. 

Alair Ribeiro/MidiaNews
Ten Cel José Nildo GEFRON
José Nildo: para cobrir a fronteira, o ideal seria o Gefron contar com 250 homens
Portanto, precisamos de tecnologia e integração com outras instituições, e isso vem sendo feito através do trabalho de Governo, onde o secretário estadual de Segurança Pública [Alexandre Bustamante] tem implementado cada vez mais esse modelo de policiamento. 

MidiaNews – O Gefron tem quantos policiais atualmente?

Tenente-coronel José Nildo – O Gefron, hoje, tem 150 policiais que atuam diretamente na região de fronteira, coibindo e combatendo diretamente os crimes típicos dessas região, como o tráfico internacional de drogas e veículos roubados, tanto em Cuiabá quanto em outras regiões do país e que passam pela divisa em direção à Bolívia, onde servem como moeda de troca para o tráfico, droga, que posteriormente, vem para o Brasil.

Nós combatemos esses tipos de crimes, além de outros, como contrabando, descaminho, crimes ambientais e outros delitos ambientais que acabam, de certa forma, sendo absorvidos pelo efetivo do Gefron. 

MidiaNews - Qual seria o efetivo ideal?

Tenente-coronel José Nildo Temos um estudo sobre isso, o número que conseguiria cobrir boa parte da fronteira seca, onde nossa atuação é mais eficiente e eficaz, seriam cerca de 250 homens, além da parte do Pantanal, que é uma outra demanda e exige uma estrutura específica, que também pretendemos implementar ainda neste ano.

Há uma ideia proposta pelo secretário de Segurança de instalação de um Núcleo de Policiamento Fluvial, em parceria com a Polícia Ambiental, com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e outras instituições, que podem ajudar a combater a criminalidade, não só com relação ao tráfico de drogas, mas também aos crimes ambientais naquela região do Pantanal.


MidiaNews – Desde o governo de Dante de Oliveira, Mato Grosso pede uma presença mais efetiva do Exército na fronteira. Essa presença, hoje, é satisfatória?

Tenente-coronel José Nildo – As ações [em conjunto ao Exército] estão sendo realizadas, como através da Operação Ágata, que são pontuais. Talvez dentro de uma política e de uma sistemática, estender [a operação] por um período contínuo seria o ideal, mas nós entendemos também as demandas que eles possuem com defesa de soberania e outras atividades. Porém, especificamente na região de fronteira de Cáceres, temos um apoio muito grande do 2º Batalhão de Fronteira através do coronel Antônio Hervé, que está comandando, entende essa necessidade e tem colaborado muito com a segurança na fronteira. Lógico que, assim como o Gefron e outras forças, eles também têm deficiências, mas dentro do possível eles estão implementando e fortalecendo a integração, atuando junto com o Gefron.


MidiaNews – A cocaína e a pasta base ainda são um grande problema para o Gefron?

Tenente-coronel José Nildo – É o principal produto que vem da Bolívia e passa pelo Mato Grosso, indo, em totalidade, não só para Cuiabá, mas para outros grandes centros, como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, cidades do Nordeste, enfim. Então, é uma problemática, o foco do Gefron é no combate ao tráfico internacional de drogas, especificamente a cocaína e a pasta base. 

MidiaNews – Quanto foi apreendido neste ano?

Tenente-coronel José Nildo – No primeiro semestre foram quase três toneladas de drogas apreendidas, entre cloridrato, que é a cocaína pura, e a pasta base. É um número considerável. Na verdade, temos que pensar que foram retiradas da sociedade três toneladas de drogas que, após batizada, essa quantidade seria duplicada para a venda ao usuário. Podemos dizer que tiramos de circulação muito mais do que essas três toneladas, quando consideramos a venda do traficante na ponta, nas bocas de fumo dos grandes centros. 

Além disso, foram apreendidos ainda R$ 23 mil em dinheiro, 14 armas, 916 munições e uma aeronave, além de 106 carros recuperados e 111 ocorrências registradas.

No primeiro semestre foram quase três toneladas de drogas apreendidas, entre cloridrato, que é a cocaína pura, e pasta base

MidiaNews – Como é a organização das quadrilhas que agem na fronteira entre o Brasil e a Bolívia? Prevalecem grandes grupos criminosos ou traficantes "de ocasião"?

Tenente-coronel José Nildo – A fronteira tem de tudo. Tem traficantes de forma isolada, os aventureiros que vão na busca do dinheiro fácil e acabam sendo presos, causando um prejuízo ainda maior do que a pessoa idealiza sobre ir até lá [Bolívia], buscar uma quantidade de droga e trazer para o Brasil para comercializar.

Tem também os criminosos de facções, que são grupos maiores que fomentam o tráfico na região de fronteira, principalmente com o uso de aeronaves e financiando grandes movimentações de droga, que nós temos atuado e conseguido combater com grande êxito. Foram seis aeronaves apreendidas nos últimos dois anos e meio e cada uma dessas aeronaves tinham quase 500 kg de cloridrato de cocaína, que é a droga pura.

A porcentagem de apreensões é igual entre os dois grupos. Porque, no dia a dia, temos as apreensões pequenas, mas também há as operações maiores, que demandam estrutura maior e parcerias com as outras instituições, tem um efetio mais pontual.

MidiaNews – Apesar do policiamento da fronteira, o tráfico de drogas entre Bolívia e Mato Grosso ainda é grande. De que modo os traficantes passam com a droga pela fronteira?

Tenente-coronel José Nildo – A fronteira tem grande parte seca, além da alagada, então as modalidades são várias. A polícia tem que se desdobrar de todas as formas para coibir as várias modalidades e processos que eles usam para atravessar essa droga para o Brasil. Temos apreensões, por exemplo, relacionadas ao combate às mulas humanas, que são pessoas cooptadas pelo crime e vão à Bolívia e trazem os entorpecentes em mochilas ou no próprio corpo. Eles vêm pelos pastos, a fronteira seca permite isso, então eles caminham entre as fazendas. Essa é uma das maneiras. 

Outras apreensões que nós já fizemos são através do transporte em aeronaves. Tivemos, nos dois últimos dois anos e meio, apreensões de seis aerenoves que traziam droga para o Brasil, sendo que cada uma delas transportava um número considerável de droga, cerca de 500 kg de cloridrato, da cocaína pura. Essa é outra vertente. 

Além dos "mocós", que são os esconderijos em veículos, onde os traficantes colocam as drogas. Tivemos até microônibus escolares com peças removidas, onde eles colocam as drogas e tampam novamente para burlar a fiscalização policial. 

Então, são várias situações e modalidades que eles [os criminosos] acabam criando para conseguir driblar a segurança, mas estamos tendo bons resultados, graças à integração e atividade policial na fiscalização da fronteira que foi desenvolvida ao longo do tempo pelo Gefron. 

Cito essa questão doutrinária e operacional que surgiu e tem se fortalecido cada vez mais através da integração entre as instituições não só no sentido operacional, mas na troca de conhecimento. Já tivemos policiais que fizeram cursos na Bolívia e outros estados, além de policiais de outras regiões que vêm à Cuiabá para aprender novas experiências. Isso tudo aí tem contribuído cada vez mais para o fortalecimento do combate, na atividade fim.


MidiaNews – Qual é o perfil dos presos por tráfico na fronteira? O alto índice de desemprego é uma das situações que leva ao tráfico?

Tenente-coronel José Nildo – A nossa fronteira é uma região predominantemente rural, então existem várias comunidades que possuem certa carência, até mesmo de empregos. Pela falta de trabalho, a população dessas localidades acabam sendo aliciados e facilmente cooptados pelo crime, em um primeiro momento. Principalmente na modalidade de "mulas" humanas, na qual jovens acabam sendo cooptados, vão para a Bolívia e trazem para o Brasil uma certa quantidade de drogas em mochilas ou em seu próprio corpo, com objetivo de ganhar o dinheiro fácil. 

Mas há uma ação de prevenção [feita pelo Gefron], que é a  presença do Estado nessas comunidades, para coibir ou minimizar esse tipo de situação. Nós fazemos uma prevenção social através do nosso programa, o "Gefron na Minha Comunidade", realizada através do canil do Gefron, que vai nas comunidades para promover palestras e integração com a população, principalmente nas escolas dessas comunidades mais carentes. Fortalecendo a presença efetiva do Estado nessas comunidades, porque os órgãos de segurança têm uma marca muito forte.

As crianças veem o órgão de Segurança Pública presente, dando palestras, ensinando ou fortalecendo valores, e isso reflete futuramente na formação [dessas crianças] e coíbe a presença da criminalidade naquelas comunidades. Essa é uma das ações sociais que fazemos, além de outras atividades de esportes, como futebol. Na Vila Aparecida, por exemplo, nós temos o Grêmio do Gefron fomentando o esporte e cada vez mais próximo da comunidade, atuando nessa segurança primária.

São várias situações e modalidades que eles [os criminosos] acabam criando para conseguir driblar a segurança

MidiaNews – O Gefron também conta com o apoio da sociedade para as apreensões? 

Tenente-coronel José Nildo – Temos um disque-denúncia: 0800-646-1402. Esse telefone serve justamente para receber informações e colaborações da comunidade e população fronteiriça no sentido de denunciar ou passar informações que eles achem relevantes para a segurança pública. A informação é colhida, em primeiro momento, por um atendente, depois é passada para o setor de inteligência, que fica dentro do Gefron, onde é verificada a veracidade para saber se há alguma ligação realmente com o crime. Após isso, é feita a operação para coibir ou buscar a prisão do meliante com relação àquela denúncia. 

Cito crimes de tráfico e roubo de veículos que passam pela fronteira, além de outros diversos, que chegam para esse setor de inteligência por meio do 0800 e temos tido efeitos positivos. 

Se for alguma questão externa da região de fronteira, o núcleo de inteligência do Gefron tem um link [conexão] com a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), além de outras unidades e estados. Temos ações da inteligência que começaram em Mato Grosso por meio de denúncias anônimas na região de fronteira e que foram ter resultados de apreensão da droga e prisão em Goiânia, São Paulo e Rondônia. 

Convido e conclamo à população para confiar cada vez mais no serviço do Gefron e, através, do 0800 passar informações que possam contribuir com a segurança e a retirada de drogas da sociedade.


MidiaNews – O contrabando de armas de fogo pela fronteira é algo que preocupa o Gefron?

Tenente-coronel José Nildo – De um tempo para cá, os próprios traficantes passaram a trazer, além de drogas, armas de fogo para o Brasil. Alguns com objetivo de fazer a segurança do carregamento e outros com o oibjetivo de trazer esse armamento para o país ilegalmente.

MidiaNews – No patrulhamento diário acontecem muitos confrontos entre policiais do Gefron e traficantes?

Tenente-coronel José Nildo – Já tivemos confrontos armados, onde estavam os traficantes ou os "mulas", que trazem a droga, estavam portando fuzis. No confronto, foi feita a apreensão das armas e tem sido comum eles trazerem esses armamentos. Geralmente eles estão vindo com fuzis, o que acaba, fatalmente, terminando em um confronto, pois quando estão armados com esse tipo de arma eles não se entregam, porque estão com o objetivo de oferecer resistência. 

Até então, nesses confrontos que tivemos na região de fronteira, tivemos sucesso no combate com os criminosos, apreensão das drogas e dos fuzis, retirando de circulação essas armas que tem grande poder de fogo. 


MidiaNews – O senhor acredita que as mudanças na legislação sobre armas no Brasil podem resultar em redução do contrabando ou esse armamento entra no país exclusivamente para atender os criminosos?

Tenente-coronel José Nildo – Sim. A característica de armas que nós temos aqui [apreendidas], grande parte são armas não registradas, sem origem, o que leva a crer que a maioria desse armamento vem através da fronteira de outros países [para atender a esse grupo].

MidiaNews – O roubo de carros também é um dos grandes problemas, já que, normalmente passam pela fronteira com a Bolívia, onde são trocados por drogas. Por que é tão dificil evitar que os veículos roubados atravessem a divida?

Tenente-coronel José Nildo – A fronteira é muito grande, são 750 km apenas de área seca. Falando assim, às vezes as pessoas não têm noção. Eu escuto muito: "É só fechar a fronteira". Como se fosse uma coisa muito fácil. Fronteira é um problema no mundo inteiro. Quando tenho oportunidade, até convido algumas pessoas para irem até lá conhecer o trabalho do Gefron, que é difícil. É uma região totalmente rural, fronteira seca que permite, em qualquer lugar, às pessoas atravessarem para a Bolívia, como por dentro dos pastos, pelas "cabriteiras" que surgem a cada momento, além das vias oficiais.

As cabriteiras são exatamente isso: as pessoas chegam com o carro, entram pelas fazendas e cortam as cercas, atravessando para a Bolívia. Não tem nenhuma barreira física natural. A barreira que se tem ali é o Gefron e as instituições de Segurança Pública fazendo o policiamento da região. Por isso eu digo que é humanamente impossível estar presente em todos os pontos, em todos os locais da fronteira.

Já tivemos confrontos armados, onde estavam os traficantes ou os "mulas", que trazem a droga, estavam portando fuzis

Porém, o Gefron tem tido grandes resultados com o combate a esse tipo de crime. Apenas esse ano foram mais de 100 veículos recuperados apenas pelo Gefron, sem contar outras instituições que fazem a fiscalização e recuperam os veículos, devolvendo aos seus donos.

Uma outra característica que é importante falar é que, no Estado de Mato Grosso, estatisticamente falando, de 100% dos veículos que são roubados, 80% é recuperado em algum momento por alguma força policial. Além dessa quantidade que é levada para a fronteira, tem parte dela vai por Rondônia ou Mato Grosso do Sul. Então, podemos dizer que não é a totalidade dos carros roubados que vão para outro país que passam exclusivamente pela fronteira Brasil-Bolívia, passando por Mato Grosso.

Veículos que foram roubados aqui em Mato Grosso já foram apreendidos em Corumbá (MS), mas também por Rondônia, por exemplo, saindo por cima. É lógico que grande parte passa por aqui, mas grande parte também é recuperada. 

MidiaNews – Como o senhor vê as propostas de legalização das drogas?

Tenente-coronel José Nildo – Não acredito nessa linha da regularização da droga. Eu, como órgão de Segurança Pública e como comandante de uma unidade que combate exclusivamente esse tipo de ilícito, sou totalmente contra a legalização de qualquer tipo de droga, seja ela qual for. Tenho a ideia de que independente de qual droga, se é a maconha ou qualquer outra, é um trampolim para uma droga mais pesada.

MidiaNews - Então o senhor não acha que isso reduziria o tráfico ou o poder das quadrilhas?
 
Tenente-coronel José Nildo  Uma coisa não justifica outra. Acredito que tem que melhorar cada vez mais o investimento no combate ao tráfico para retirar esse produto de circulação. Na minha concepção, deve haver o investimento nas instituições para combater [o tráfico] e não a legalização. 


MidiaNews – De tempos em tempos noticia-se o surgimento de novas drogas. Já houve apreensões desse tipo na fronteira?

Tenente-coronel José Nildo – Recentemente surgiu o skunk, a super maconha, como é conhecida, uma droga que foi modificada para aumentar o nível de entorpecência. Essa droga já é uma realidade e vem de outros estados para Mato Grosso. Na fronteira com a Bolívia ainda não se tem grande produção desse tipo de entorpecente. Então, no Gefron também não temos casos expressivos de apreensões de skunk, mas é uma droga nova que está chegando no Estado.

Aqui em Mato Grosso, a Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE) e a Polícia Militar, através das suas unidades de área, já fizeram apreensões. Mas exclusivamente pelo Gefron, na fronteira Brasil, Bolívia e San Mathias e as cidades que fazem parte da região, ainda não é uma realidade.

Existem tratativas a nível de nação que são necessárias. Por exemplo, a regularização dos veículos que são levados para a Bolívia

MidiaNews – O Governo da Bolívia coopera com o Brasil no combate às drogas? O Brasil precisa ser mais duro no campo diplomático? 

Tenente-coronel José Nildo – Falando a nível de ponta, dentro da Bolívia eles têm uma unidade chamada "Os Leopardos",  que é uma força policial direcionada ao combate do narcotráfico. Eles vêm atuando de forma efetiva na região, pelo menos nessa parte onde temos mais proximidade com a polícia boliviana, temos essa parceria. É algo presente essa parceria, essa troca de informações.

É lógico que, como nós, eles têm algumas deficiências, inclusive até maiores, falando a nível de Gefron. Essa unidade que está na linha de fronteira precisa de investimento, porque essa unidade nasceu através de uma parceria com o governo americano. De uns anos para cá, essa parceria se rompeu e os americanos não puderam mais estar efetivamente ajudando, tanto com equipamentos quanto com treinamentos e o fortalecimento da doutrina dessa unidade. 

Mas ela existe e vem combatendo o crime na Bolívia dentro das possibilidades dela.


MidiaNews – O Governo Bolsonaro, por ter ideologia que diverge da de Evo Morales, que é de esquerda, poderá endurecer o discuro de combate a esses tipos de crimes de fronteira?

Tenente-coronel José Nildo – Existem algumas tratativas a nível de nação, que inclusive são necessárias. Por exemplo, a regularização dos veículos que são levados para a Bolívia. São acordos que devem ser discutidos a nível de nação para resolver essa situação, porque isso acaba fomentando, de certa forma, um crime, que é justamente o roubo de carros, que são levados para dentro da Bolívia e trocados por drogas.

No entanto, eu não trato como endurecimento. Acho que é uma coisa política e diplomática a ser acertada e que é possível, a nível de nação. Mas é necessário e urgente que seja feito.
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É humanamente impossível cobrir todos os pontos, diz GEFRON sobre crimes na fronteira
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