Operação mira 58 membros de facções lideradas por presos em MT

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Organização cometia crimes diversos em seis municípios do Estado, segundo a Polícia Civil

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta terça-feira (9), 58 mandados de prisão em uma operação contra membros de facções criminosas com atuação forte em roubos, tráfico de drogas, homicídio e crimes diversos de estelionatos, muitos deles praticados a mando e por membros que estão presos em unidades prisionais do Estado.

A operação denominada “Tentáculos” é coordenada pelo Núcleo de Inteligência da Delegacia da Polícia Civil de Tangará da Serra (a 239 km da Capital) e desenvolvida em seis municípios de Mato Grosso: Cuiabá, Campo Novo dos Parecis, Tangará da Serra, Barra dos Bugres, Rondonópolis e Juína.

Também há mandados sendo cumpridos dentro das duas principais unidades prisionais de Mato Grosso: a Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e a Penitenciária Major Eldo Sá (Mata Grande), em Rondonópolis.

Os mandados de prisão foram expedidos contra 18 criminosos já presos em unidades dos municípios de Campo Novo, Tangará da Serra, Barra do Bugres, Cuiabá, Rondonópolis, e 40 integrantes da organização que estão soltos atuando no cometimento de crimes, totalizando 58 alvos. Somente em Campo Novo dos Parecis são 36 alvos.

Os mandados foram expedidos pela Sétima Vara do Crime Organizado de Cuiabá.

Investigação

O delegado Adil Pinheiro de Paula, que coordena a operação, informou que a operação é a 5ª fase de uma investigação desenvolvida ao longo de 4 anos. Essa última etapa foi decorrente do acompanhamento investigativo e de inteligência (núcleo de Tangará da Serra) por um ano.

“As investigações dessa operação iniciaram há cerca de um ano. A Polícia Civil começou a monitorar integrantes da organização criminosa que atuam no Médio-Norte do Estado. As investigações evoluíram e identificamos que a chefia dessa organização parte de dentro das cadeias. A operação então passou a focar nos líderes da organização nas principais cadeias do Estado, em Várzea Grande, Cuiabá, Rondonópolis, Campo Novo dos Parecis e Tangará da Serra”, explicou o delegado.

Conforme o delegado, também foi comprovada uma série de crimes cometidos durante o monitoramento da Polícia Civil. “Ao final da investigação conseguimos identificar toda a coluna vertebral, a espinha dorsal da organização, que espalhou seus tentáculos no Médio-Norte do Estado”, completou Pinheiro.

A investigação aponta que os criminosos, todos integrantes de facção criminosa ou ligados à facção por meio da associação para o tráfico de drogas, atuam tanto no interior das cadeias/presídios quanto fora delas, agindo de maneira extremamente organizada, usufruindo de proteção imposta pelo medo, desde a eliminação dos rivais para tomar e estabelecer territórios, administrando eventuais conflitos e impondo regras.

Segundo a Polícia Civil, as lideranças, mesmo cerceadas de liberdade, mantêm contato com comparsas e familiares para passarem ordens, deixando claro que sentem-se impunes, protegidos sobre as grades das cadeias, de onde não deveriam ter contato com crimes, seja internamente ou externamente.

“[Trata-se de um] grupo de indivíduos composto por experientes criminosos sensíveis a investigação, pois ora planejam ações em sua totalidade, ora alguns dos alvos aliam-se a outros novos para a prática delituosa”, diz trechoi do relatório da investigação.

Crimes diversos

Conforme as investigações, o grupo tem presença forte no tráfico de drogas, roubos e homicídios. Também foi identificado que a organização criminosa praticava muitos estelionatos em modalidades diversas, como golpes contra familiares de pacientes internados em hospitais, principalmente, no Estado de São Paulo.

Segundo a polícia, habilidosamente os criminosos se passavam por médicos e convenciam funcionários de hospitais a informarem dados de pacientes. Depois, entravam em contato com as vítimas, pedindo dinheiro para pagamento de exames específicos e urgentes.

Os criminosos também acessavam publicações da venda de produtos na internet, principalmente na página da OLX, e mantinham contato com os vendedores negociando a compra, alegando pagamento com depósito bancário em envelope vazio.

Outro golpe aplicado é o chamado “bença tia”, que consiste em enganar pessoas, especialmente idosos, falando ser um sobrinho, por exemplo. Após convencer a vítima, informa que está com o carro quebrado na estrada ou outra situação, necessitando de dinheiro para seu conserto.

O dinheiro dos golpes sempre cai em conta de aliados, que sacam ou transferem os valores, pulverizando de forma rápida e causando prejuízo às vítimas, antes mesmo que elas consigam procurar a Polícia.

Modalidades distintas de arrecadação financeira também foram confirmadas, como o pagamento de mensalidades dos membros da organização e mensalidades de pontos de tráfico, as chamadas biqueiras/boca de fumo/lojinhas, entre outras formas.

Acesso a celulares

O delegado Adil Pinheiro de Paula ressalta que o enfrentamento às organizações criminosas pelas forças de Segurança Pública tem sido dificultado pelo acesso do lideres a celulares dentro das principais unidades prisionais do Estado.

Parte dos alvos está na PCE; para a Polícia, acesso a celulares facilita atuação de organizações criminosas

“O que a polícia pode fazer é prender o criminoso, mas dentro da cadeia ele continua a cometer crimes, e pior, de forma potencializada. Infelizmente, essa operação mostra que parte das cadeias do Estado estão servindo de abrigo ao cometimento de crimes”, criticou.

Conforme o delegado, mesmo estando recolhido dentro de cadeias/presídios, os criminosos irão responder pelos crimes cometidos na rua, que serão somados às suas penas, reduzindo a possíbilidade de beneficios de progressão de regime.

O inquérito da operação “Tentáculos” foi instaurado na Delegacia de Tangará da Serra e deverá ser encaminhado, dentro de 30 dias, à 7ª Vara Criminal de Cuiabá.
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Operação mira 58 membros de facções lideradas por presos em MT
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