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Em depoimento, casal que jogou bebê em poço afirma que criança morreu após tomar medicamento

Em depoimento, casal que jogou bebê em poço afirma que criança morreu após tomar medicamento
Olhar Direto

Thiago Silva Lacerda e Raquel Araújo Dias, que confessaram ter jogado a filha de seis meses dentro de um poço, na cidade de Tabaporã (674 quilômetros de Cuiabá), afirmaram que a criança morreu após passar mal ao ingerir um medicamento. Em depoimento, os dois divergiram sobre a ocultação do cadáver e se mostraram arrependidos.

Em entrevista ao Olhar Direto, o delegado Agnaldo Coelho, de Jataí (GO), onde foi realizada a prisão, destacou que o pai contou em depoimento que ministrou um medicamento para a criança, que passou mal. Sem saber o que fazer, o homem então teria ocultado o corpo da bebê de seis meses.

“Óbvio que isto será investigado pela Polícia Civil de Tabaporã. A nossa suspeita é que o fato não ocorreu desta forma. O natural era a vítima ser levada para um hospital, para que se tomem medidas de reanimação. Não é uma conduta normal a que eles disseram ter tido. Acreditamos que possa ter ocorrido outras coisas”, disse o delegado.

Em seu depoimento, Raquel disse que não estava em casa quando a menina morreu e que, quando chegou, a criança já havia sido jogada no poço. Porém, Thiago divergiu desta versão e disse que os dois tomaram a decisão de ocultar o corpo da menor.

“Os dois se mostraram arrependidos. Agora, eles tem um prazo de 30 dias para ficarem presos aqui em Jataí. Possivelmente, a Justiça deverá recambiá-los para Tabaporã, onde responderão pelo crime. Não tinham manifestado qualquer interesse em se entregar. Só depois, que ficaram sabendo e que nós estávamos em diligências é que eles foram pegos”, explicou o delegado.

Segundo a Polícia Civil, há aproximadamente quatro meses o casal já havia sido denunciado por maus tratos contra a criança, que ficou na Casa de Passagem durante certo período, até que a guarda foi restituída aos pais. Sobre este caso, os dois negaram as acusações.

“Quero ressaltar que todo trabalho investigativo, que levou a prisão dos dois investigados foi feito pela Polícia Civil de Tabaporã. Nosso trabalho foi de apoio e se resumiu a efetuar a prisão depois de todo levantamento feito pela equipe do delegado Albertino Felix de Brito Junior. O mérito é todo da Polícia Civil de Mato Grosso”, finalizou Agnaldo Coelho.

O caso

O corpo do bebê de seis meses, que teria sido morto pelos pais, foi encontrado na noite da última quinta-feira (09), apos buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e policias Civil e Militar, na cidade de Tabaporã (674 quilômetros de Cuiabá). A vítima foi jogada dentro de um poço pelos acusados, que foram presos na cidade de Jataí (GO).

Segundo o Corpo de Bombeiros, o poço tem cinco metros de profundidade. Durante as buscas ainda na noite de quinta-feira, foi possível localizar fragmentos do corpo da criança. Os trabalhos serão retomados nesta sexta-feira (10).

Conforme testemunhas, o casal foi visto em três situações, sendo a primeira delas nas proximidades do córrego, com o carrinho de bebê (não sendo constatado se a criança estava nele).

Logo em seguida, o casal foi visto sozinho sem a criança e sem o carrinho e mais tarde, pedindo carona a terceiros, apenas com mochilas e também sem o bebê. Desde então o casal não foi mais visto na cidade. A casa que eles moravam estava abandonada só com os móveis e alguns pertences pessoais deles e da criança.

As investigações iniciaram na quarta-feira (08), após denúncia feita ao Conselho Tutelar, relatando que o pai da criança disse que teve que sair às pressas da cidade e pediu para que fosse colocado fogo nas coisas do bebê. O carrinho da criança foi encontrado às margens do rio.


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