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PF monta força-tarefa para investigar grampos em ex-amante de ex-secretário em MT

Fonte: folhamax


A Polícia Federal em Mato Grosso vai realizar uma “força tarefa” para apurar em quais circunstâncias a publicitária Tatiane Sangalli foi alvo de interceptações telefônicas pela instituição entre os anos de 2014 e 2015. Sangalli é ex-amante do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, e também aparece em interceptações realizadas pela Polícia Civil.

As interceptações contra a publicitária pela Polícia Federal foram descobertas pela Força Tarefa da Polícia Civil que investiga os grampos ilegais no Estado, no episódio denominado Grampolândia Pantaneira. Sangalli teria sido alvo da prática de “barriga de aluguel”, quando números telefônicos são inseridos em pedidos de interceptação, mesmo sem ser alvo da investigação.

Nos grampos realizados pela Polícia Civil, a publicitária foi inserida numa investigação contra o tráfico de drogas sob o codinome de “Dama Loura”. Já na Polícia Federal, aparece como HNI (Homem Não Identificado) em quatro pedidos de investigação.

Por meio de nota, a Polícia Federal disse que “realiza interceptações telefônicas no âmbito de investigações criminais, nos estritos limites legalmente estipulados, mediante autorização judicial”. Na sequência, garantiu que irá investigar o fato já comunicado oficialmente pela Polícia Civil. 

A Grampolândia Pantaneira soma hoje nove inquéritos. Sete deles estão na Polícia Civil sob a responsabilidade das delegadas Ana Cristina Feldner e Janira Laranjeira.

Um inquérito está em curso no Tribunal de Justiça e outro no Ministério Público, por supostamente envolverem um magistrado e um promotor. A descoberta de suposta interceptação ilegal no âmbito da PF de Mato Grosso envolvendo nomes do esquema montado na PM abre mais um 'braço' nessa investigação que já acumula milhares de páginas.

O escândalo dos grampos veio à tona há mais de mil dias, desde que foi denunciado pelo Fantástico, em maio de 2017. Até agora, apenas o Inquérito Policial Militar (IPM) levou os cinco militares acusados a julgamento.

O ex-comandante geral da PM, coronel da reserva da Polícia Militar, Zaqueu Barbosa, foi o único condenado a cumprir pena. Ele foi condenado a cumprir oito anos de prisão por participação nos grampos. Ele confessou o crime e disse que o ex-governador Pedro Taques (PSDB) tinha conhecimento dos grampos. 

NOTA PÚBLICA

A Polícia Federal esclarece que somente realiza interceptações telefônicas no âmbito de investigações criminais, nos estritos limites legalmente estipulados, mediante autorização judicial. A Superintendência Regional no Estado do MT foi oficialmente acionada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Mato Grosso e já determinou a apuração dos fatos narrados na reportagem, que teriam ocorrido, em tese, entre os anos de 2014 e 2015.