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Mito: asteroide destrói mais de 100 casas e abre cratera de 21 metros



Uma das notícias "astronômicas" que mais repercutiram na internet e nos noticiários de todo o mundo nas últimas semanas foi a de um meteoro que havia caído na Nigéria. O feito tinha causado uma explosão que abriu uma cratera de 21 metros e destrui mais de 100 casas da cidade de Akure, região sudoeste do país africano. Entretanto, com base em tudo que já foi divulgado, podemos afirmar que este incidente foi causado por explosivos e nada tem a ver com algo vindo do espaço.


Cratera formada em Akure, Nigéria - Fonte: The News Nigeria


Esta foi a versão foi apresentada pelo governador do estado de Ondo, Rotimi Akeredolu, em uma série de tuítes postados ainda no dia 28 de março. Entretanto, mesmo uma semana após o incidente, a explosão em Akure continua a gerar uma série de controvérsias. E um dos principais motivos é o fato dos nigerianos não confiarem muito em suas principais autoridades.

Alguns autodenominados investigadores voluntários chegaram a cravar: "foi um atentado a bomba do Boko Haram" (grupo terrorista jihadista fundamentalista islâmico sunita de forte atuação na África). Entretanto, eles costumam ser um pouco mais competentes em seus atentados. Não tem o hábito de detonar grande quantidade de explosivos de madrugada em estradas vazias e deixando um total de zero mortos.

Não haveriam muitas dúvidas a respeito do ocorrido. Ao menos, não sobre o fato central de que a explosão teria sido causada por explosivos. Poderia-se questionar alguns detalhes, por exemplo, se os seguranças tentaram realmente conter as chamas ou se partiram logo para o "salvem-se quem puder". Ou ainda, questionar a origem das chamas. Havia algum fumante no comboio?

Mas tudo mudou de repente quando, ainda na manhã de sábado, chegou ao local o professor de Geofísica e Engenharia Sísmica da Universidade Obafemi Awolowo, Adepelumi Adekunle. Enquanto o Governador Akeredolu orientava a população a deixarem a área devido ao risco de ainda haver algum explosivo enterrado, o professor Adekunle e sua equipe analisaram todo o local do incidente e chegaram a uma conclusão completamente diferente:

"As evidências de campo apontam para a conclusão de que um meteorito oriundo do cinturão de asteroides, viajando no espaço a uma grande velocidade, impactou o local em um ângulo de 43° criando uma cratera e ejetando material na direção sudoeste" - concluiu Adekunle.

Segundo ele, colaboram para suas conclusões o fato de não haver nenhuma evidência de veículo enterrado, nem ter sido encontrado algum tipo de detonador. Sua equipe encontrou fissuras com espessura de 3 milímetros a 4 metros na parede da maioria dos edifícios, mas não na base dos edifícios. A maior parte da destruição ocorreu na parte superior e nos tetos. Também relatam terem encontrado "rochas estranhas e objetos metálicos estranhos" no interior da cratera.

Não importa o quão absurda seja a teoria do professor Adekunle, o quão frágeis são os argumentos frente à enorme quantidade de evidências que a versão oficial sustentava. A mais fantástica das hipóteses foi, de fato, a que ganhou a mídia. E mesmo nas matérias que evidenciavam o absurdo dessa teoria, elas eram usadas para estampar suas manchetes e assim, chamar a atenção do leitor.

Fonte: olhardigital